Investindo em um mundo melhor

Olá!

Por muitos anos servi à minha família, mas também ao capital. Quando olho pra trás me orgulho. Foi muito bom! Vivi o que eu tinha pra viver. Tenho uma parceira de vida que dividiu as trincheiras da vida e batalhou cada conquista comigo. Criamos nossos filhos, demos conforto à nossa família e não consigo enxergar nada mais honrado do que fazer isso com o suor do trabalho honesto e o poder do amor. Nossas quedas e percalços só nos fizeram mais fortes e humanos. Pudemos mostrar a nossos filhos um mundo diverso, com mais clareza, mais humano. Pois foi assim que escolhemos viver. Mas neste período, o que ajudei a realizar beneficiou uma fração privilegiada da população e, em muitos casos, prejudicou o bojo da sociedade. Ajudei a indústria do cigarro, minério, petróleo e consumo, que poluem e intoxicam a vida. E disso não me orgulho.

Quando olho para o presente me preocupo. Vivemos num mundo em ebulição. Nossa sociedade foi civilizando-se, substituindo a barbárie, os preconceitos e paixões cegas por tolerância. Mas a objeção de alguns em um convívio são e fraterno tem trazido os velhos ranços e medos do passado à tona, de forma aflorada e ruidosa.

O terrorismo, a ganância e a corrupção têm feito nossa sociedade repensar seus valores e retroceder anos de conquistas, reerguendo muros já derrubados. Preconceitos raciais, sociais, sexuais, morais e religiosos têm ganhado espaço na mídia, nas redes sociais e o mais alarmante: nos corações de nossos parentes e amigos. Tão perto de nós, tão palpável.

Acredita-se que será possível impor uma religião ao mundo, dois sexos, uma cor, uma cultura, uma ética, uma única verdade. Tudo tão binário, tão desconectado da natureza. Quando olho para o presente vejo o passado e me preocupo com o futuro.

Quando olho para o futuro vejo um mar de oportunidades. Há tanto a ser feito! O que a tecnologia e a criatividade podem dar conta? Quantos e de quantas formas diferentes são os problemas que podem ser resolvidos? Que mundo teremos? Viveremos o caos anunciado em filmes apocalípticos norte-americanos? Viveremos numa sociedade sem chagas nos corpos e nas almas? Viveremos ciclos contínuos de barbárie e prosperidade? Viveremos?

Quando olho para história me deparo com o presente e o futuro. Após todos os ciclos de barbárie como este que vivemos hoje, há sempre ciclos de grande prosperidade, e a civilização avança continuamente. Portanto, decidi que é importante resistir. Resistir às agruras, resistir à maledicência, à mediocridade, resistir à imposição cultural, religiosa, à intolerância, à falta de bom senso e à ditadura do senso comum. Aliás, é necessário resistir a qualquer forma de ditadura, ao mundo binário, definido em esquerda e direita, ricos e pobres, brancos e negros, islã ou cristianismo. Pois a vida é diversa, é múltipla. Há outras raças, religiões, classes sociais, tanta sorte de pessoas e culturas, que jamais deveríamos pensa-las como diferentes, mas coletivamente, como parte um todo: nosso mundo. Resistir é a chave para o próximo ciclo de prosperidade.

Quero usar o capital a quem servi no passado para servir à vida no futuro. E pretendo fazer isso oferecendo meus anos de vida, minha experiência como homem, pai, marido, irmão, filho, amigo, executivo de TI e RH, empresário, empreendedor  e investidor. Quero colocar o pouco que tenho a serviço de pessoas criativas que, assim como eu, sejam resistentes, resilientes e acreditem que um futuro melhor não depende de governos e sim de cada um de nós, dispostos a transformar os problemas em oportunidades de vida. Quero ajudar pessoas a ajudar outras pessoas e ao planeta.

Minha capacidade de investimento é muito limitada. Portanto, quero poder ajudar em projetos que se sustentem, que sustentem a minha família e as famílias daqueles que estejam empreendendo. E quero que estes projetos tenham impacto social ou ambiental, que ajudem a transformar nosso mundo em algo melhor. É assim que me vejo resistindo. É assim que desejo superar este presente raivoso por um futuro fraterno. Este é o legado que eu gostaria de deixar para as próximas gerações.

E aí, vamos resistir juntos?

 

 

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